CLUBE DE ASTRONOMIA DE FORTALEZA

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quinta-feira, 23 de março de 2017

Astronomos brasileiros descobrem novas chuvas de meteoros


Um grupo de astronomos brasileiros vinculados a rede brasileira de observação de meteoros (BRAMON), que fazem monitoramento do céu por câmeras, fez importante descoberta de duas novas chuvas de meteoros que foram registradas, estudadas e aceitas pela União Astronomica Internacional essa semana.
Segundo o astronomo amador Lauriston Trindade,um dos descobridores que também é colaborador do CASF e membro fundador do grupo de astronomia PERSEU, foi necessário para confirmação uma série de cálculos e análises de dados e documentos para confirmação a descoberta.
Com o feito, mais uma vez vemos a importância da astronomia amadora em pesquisas e descobertas, e o Ceará e o nordeste novamente se destacando nesse cenário.Parabéns aos grandes descobridores, e que novas descobertas venham a ser registradas brevemente.

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Lauriston Trindade(foto acima), astronomo de Maranguape foi um dos descobridores das chuvas.

Outras fontes:
 http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/cidade/online/grupo-de-pesquisadores-brasileiros-incluindo-um-cearense-descobre-duas-novas-chuvas-de-meteoros-1.1724354

Cometa pode ser observado com binóculos em março e abril

Um cometa está visível na constelação da Ursa Maior com magnitude aparente em torno de +9, com tendência a se tornar ainda mais brilhante nos próximos dias.
Trata-se do cometa 41 P/Tuttle-Goacobini-Kresak, um cometa periódico que orbita o sol a cada 5,4 anos, descoberto em 1858. No final do mês de março ele atingirá o perigeu, seu ponto mais próximo da Terra, a 21,2 milhões de quilômetros. Essa distância é equivalente a 55 vezes a distância entre a Terra e a Lua.
Durante uma de suas aparições anteriores, em maio de 1973, este mesmo cometa apresentou um aumento brusco de brilho: sua magnitude saltou de +14 para +4, tornando-se assim facilmente visível a olho nu.



Foto do cometa 41 P/Tuttle-Goacobini-Kresak na madrugada do dia 17 de março de 2017, desde Ishikawa, Japão. Empilhamento de 46 fotografias de 30 segundos de exposição e ISO 12800. Câmera Canon EOS 6D. Crédito: Yasushi Aoshima.

Para localizar o cometa no céu, tente observar de um local aberto e afastado o máximo possível de fontes de poluição luminosa, como postes ou casas. No Ceará, o cometa pode ser encontrado baixo no céu, cerca de 25º acima do horizonte norte. Use como guia as estrelas da Ursa Maior, que aparentam formar uma grande "concha" (veja o mapa abaixo).



Mapa para localizar o cometa 41 P/Tuttle-Goacobini-Kresak. As marcas indicam a posição do astro à meia-noite de cada dia, no Tempo Universal Coordenado (21h na hora de Fortaleza). Na noite do dia 21 para o 22 de março a trajetória do astro o leva a passar bem próximo da galáxia M 108 e da nebulosa planetária M 97, formando assim um belo triângulo e uma boa oportunidade para astrofotografias.
O cometa tem aspecto difuso e é melhor visualizado em céus escuros, em torno das 22h, com telescópio e oculares de baixo ou médio aumento (por exemplo, oculares de distância focal de 30 e 13 mm, respectivamente) ou em fotografias de exposição de alguns segundos. Há previsões de aumento do brilho deste cometa para o final de março e começo de abril, quando então poderá ser melhor visto com binóculos 10x50 em um céu escuro, embora nessa época ele vai estar mais baixo no céu.

Por: Hilbernon Almeida F.(Presidente do CASF)



sábado, 25 de fevereiro de 2017

ECLIPSE PARCIAL DO SOL EM FEVEREIRO DE 2017 PODERÁ SER VISTO NO BRASIL.

Um eclipse solar anular vai acontecer no dia 26 de fevereiro de 2017, domingo de carnaval. A Lua se posicionará entre a Terra e o Sol, mas a uma distância tal que não ocultará completamente o disco solar.

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Faixa de visibilidade do eclipse solar de 26 de fevereiro de 2017. A faixa mais escura marca a região onde será visto como anular, e as mais claras, como parcial.

 Será visível em partes da América do Sul e África. Em Fortaleza, esse eclipse será parcial e não muito óbvio, devido à pequena fração do Sol obscurecido pela Lua (2.9%).

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 Aqui o eclipse terá início às 11:45.O máximo irá ocorrer às 12:28. O evento vai chegar ao fim às 13:10.


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 Aspecto do disco solar no momento máximo do eclipse em Fortaleza
                    
 Ainda neste ano, um outro eclipse solar parcial poderá ser visto de Fortaleza, no dia 21 de agosto. Neste dia o sol irá se por sob o horizonte ainda eclipsado pela lua.                        
 NUNCA se deve observar o sol sem a devida proteção, por risco de cegueira permanente e imediata. Só se deve observar o sol por meio de filtros solares especialmente feitos para esta finalidade, como por exemplo, os filtros solares comercializados pela empresa Thousand Oaks. Esses filtros bloqueiam 100% da irradiação ultravioleta e infravermelha, e até 99,999% da luz visível. NÃO se deve tentar JAMAIS usar chapas de Raios X, vidro esfumaçado ou nada desse tipo.
Uma maneira indireta e segura de acompanhar um eclipse solar é por meio do método de projeção. Você pode fazer uma pequena perfuração numa folha de papel ou papelão e deixar a luz do sol atravessar esse furo. Observe a projeção da sombra da folha contra o chão e o pequeno disco iluminado que vai se formar no meio. Quanto mais distante você segurar a folha do chão e menor for o furo, maior e mais nítido será o disco no chão e mais facilmente você poderá perceber a obstrução do sol pelo disco da lua. De novo, NÃO se deve olhar para o sol, mas para o chão, isto é, para a projeção no chão da luz solar.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Astrônomos descobrem sistema estelar com 7 planetas, 3 dos quais em zona potencialmente habitável

Em maio de 2016 um grupo de pesquisadores liderado por Michaël Gillon, da Universidade de Liège, Bélgica, utilizando o telescópio TRAPPIST sul para fazer fotometria de trânsito de exoplanetas, anunciou a descoberta de três planetas em torno de uma estrela de magnitude 18,8, chamada de TRAPPIST-1. Esta é uma estrela anã vermelha superfria a cerca de 39 anos-luz da Terra, na constelação do Aquário, uma das 300 estrelas mais próximas de nós. Tem cerca de 8% da massa e 11% do raio do Sol, com uma temperatura de 2.300°C e pelo menos 500 milhões de anos de idade. O Sol, em comparação, tem temperatura de 5.500°C e 4,6 bilhões de anos de idade.

Estrelas anãs vermelhas estão entre as estrelas mais comuns e menores do universo. O grupo de Liège escolheu focar sua atenção nelas, em especial nas superfrias, dentre outras razões, porque é mais fácil detectar planetas menores ao redor de estrelas menores. Ao se reduzir o tamanho da estrela por um fator de 10 vezes, a intensidade do sinal detectado pelo trânsito de um possível exoplaneta aumenta por um fator de 100, facilitando assim sua descoberta.




A estrela Trappist-1 rodeada por seus planetas(Representação artística)
Fonte:ESO

Observações subsequentes do sistema TRAPPIST-1 pelo Telescópio Espacial Spitzer, que observou a estrela quase que continuamente por 500 horas, auxiliadas por observações de vários telescópios em terra, incluindodo o telescópio de 8 metros do VLT da ESO, levaram à confirmação de todos os três planetas e a descoberta de outros quatro, totalizando sete planetas conhecidos ao redor dessa estrela.
Usando os dados do Sptizer, os pesquisadores puderam medir o tamanho de todos os sete planetas e estimar a massa de seis deles, permitindo calcular suas densidades. Segundo informações anunciadas hoje numa coletiva de imprensa da NASA e publicadas em artigo na revista Nature, todos os sete planetas provavelmente são rochosos e possuem massa estimada comparável com a da Terra.


Representação do sistema planetário de TRAPPIST-1
Fonte:ESO



Cúpula do telescópio TRAPPIST sul, no Deserto de Atacama, Chile.
Fonte:ESO

Pelo menos três deles estão na zona habitável, TRAPPIST-1 e,f e g, entendida como a região ao redor da estrela nem tão quente, nem tão fria, onde poderia haver água na forma líquida, caso houvesse alguma água na superfície desses planetas. A estrela TRAPPIST-1 é tão fria que água líquida poderia existir sobre planetas orbitando bem próximo dela. A habitabilidade final de um planeta depende ainda de outros fatores, como a presença e composição da atmosfera, gases de efeito estufa, processos geológicos, etc. O sétimo e mais externo planeta não teve sua massa estimada. Os cientistas especulam se tratar de um mundo gelado parecido com uma “bola de gelo”. Observações futuras irão tentar investigar se há qualquer traço de água, ou mesmo água líquida, em qualquer um desses planetas.



Vista do céu de um dos planetas de TRAPPIST-1(visão artística)
Fonte:ESO

Todas as sete órbitas planetárias estão mais próximas da estrela do que Mercúrio do Sol. A distância entre TRAPPIST-1 f e TRAPPIST-1 g, por exemplo, é de apenas 3 vezes a distância entre a Terra e a Lua. Os planetas estão tão próximos uns dos outros, que uma pessoa em pé na superfície de TRAPPIST-1 f, poderia ver detalhes de nuvens ou da geologia dos mundos vizinhos, que aparentariam às vezes ter o dobro do tamanho da Lua cheia vista no céu da Terra. A estrela do sistema, por sua vez, teria 10 vezes o tamanho aparente do Sol.

Todos os planetas possuem períodos orbitais que são frações inteiras uns dos outros. Por exemplo, quando 1f dá quatro voltas ao redor de sua estrela, 1g faz três voltas quase que exatamente no mesmo tempo (cerca de 36 dias, dando uma razão de 4/3). Fenômeno semelhante ao que ocorre com as luas de Júpiter. As interações gravitacionais entre os planetas de TRAPPIST-1 modificam um pouco os seus períodos orbitais, ora ganhando, ora perdendo até 1 hora, o que permitiu estimar suas massas. Os dois planetas mais internos também aparentam orbitar com a mesma face sempre voltada para a estrela, à semelhança do que ocorre com a Lua em relação à Terra. Assim, enquanto em um lado seria sempre dia, o outro estaria preso na noite eterna. Isto poderia significar padrões de clima totalmente diferentes daqueles do nosso planeta, tais como ventos fortes soprando do lado diurno para o noturno e mudanças extremas de temperatura.


Essa imagem mostra, na fileira de cima, representações artísticas dos sete planetas de TRAPPIST-1, com seus períodos orbitais, distancias até a estrela, raios e massas,em comparação com a Terra.
Fonte:JPL/NASA

O telescópio espacial Hubble já deu início ao monitoramento de quatro dos planetas, incluindo os três dentro da zona de habitabilidade. Essas observações objetivam avaliar a presença, ao redor desses planetas, de atmosferas dominadas por hidrogênio, típicas de planetas gasosos como Netuno.

Telescópio Espacial Spitzer
Fonte:NASA

TRAPPIST é a sigla em inglês para Transiting Planets and Planetesimals Small Telescope, ou Pequeno telescópio dedicado aos planetas em trânsito e planetesimais. É um par de telescópios robóticos, cada um com 60 cm de diâmetro, instalados um no Chile e outro no Marrocos. É operado à distância a partir da Universidade de Liège, na Bélgica. Seu objetivo é estudar exoplanetas e corpos menores do sistema solar, como cometas. Trapista, não por coincidência,também é o nome de uma cerveja famosa na Bélgica, altamente fermentada e produzida somente por monges beneditinos da Ordem Trapista.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

ECLIPSE PENUMBRAL VISTO ONTEM.


O eclipse penumbral, é um eclipse que passa muitas vezes despercebido e pouca gente dá importância, mas esse fenômeno acontece quando a sombra da atmosfera da terra toca a lua.Quando isso acontece, apenas uma parte da lua toca o chamado umbral e a sombra da atmosfera vai se tornando mais densa, tornando parte da lua escura.Nessa sexta-feira que passou, quem fez observações percebeu que o lado norte da lua ficou escurecido.Nessa ano ainda haverá outros eclipses mais interessantes, como o parcial do sol previsto para 26 de fevereiro e outro da lua(parcial) no dia 7 de agosto.Boas observações.

George Yure.

video





 Resultado de imagem para eclipse penumbral 2017 ontem

sábado, 21 de janeiro de 2017

Astronomo do CASF registra com uma câmera o asteróide Vesta.

  Nesse mês de janeiro, um dos objetos celestes que podem ser vistos com um binóculo, luneta ou com telescópios é o asteroide Vesta.

Vesta é um asteroide(alguns o classificam também com planeta-anão) que está situado entre as orbitas de Marte e Júpiter, e tem aproximadamente 530km e está situado a 353 milhões de quilômetros do sol, leva cerca de 3, 65 anos para dar uma volta ao redor do sol e 5,3 horas para dar uma volta em torno de seu eixo.


Local onde procurar o VESTA no céu.



Você pode procurar o VESTA entre as constelações de gêmeos e câncer.Sua magnitude é fraca, mas, se você tiver uma boa visão e souber a localização exata, conseguirá percebe-lo entre as estrelas.


O membro do CASF João Romário conseguiu acha-lo no céu e postou na sua conta nas redes sociais.




                                                    Asteroide Vesta

Foto: http://www.siteastronomia.com/asteroide-vesta


Abaixo, foto do asteroide Vesta tirado pelo João Romário





Localização do asteroide no céu:




Fonte:Stellarium

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

UM INTELECTUAL PRECURSOR DO EINSTEIN NO CEARÁ


A imagem pode conter: árvore, céu e atividades ao ar livreA imagem pode conter: uma ou mais pessoas e fumando 

 (Nas fotos acima a a esquerda imagem do prédio que ainda existe na UFC do Benfica(CH 2), a conhecida torrinha onde funciona o C.A. da psicologia e a direita foto do intelectual cientista e filósofo João Miguel da Fonseca Lobo.)

Fontes: http://maladeromances.blogspot.com.br/2014/01/o-vaqueiro-chico-viana-e-o-einstein-do.html

http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=544663

O estado do Ceará no campo das ciências, não ficou nada a dever ao resto do país com relação as discussões científicas; as mesmas tivera bastante destaque por aqui no século XIX e início do XX. A astronomia e as ciências no geral, eram bastante discutidas por intelectuais da época. Vale ressaltar nomes que fizeram parte do instituto do ceará e da padaria espiritual como Antonio Teodorico da Costa, Hildebrando Pompeu de Sousa Brasil, Otacílio de Azevedo, Rodolfo Teófilo e também um intelectual pouco conhecido do público, mas que deveria ser lembrado porque em sua época, elaborou e previu teorias que mais tarde o próprio Einstein veio a formular (1905) e ter sua comprovação inicial em 1919 em Sobral. Trata-se de "João Miguel da Fonseca Lobo", que, devido as suas ideias, ficou conhecido na época como o "EINSTEIN CEARENSE" como descreve seu bisneto Newton Lobo:


Há mais de cem anos, dissertando o astrofísico cearense Fonseca Lobo acerca da formação dos sistemas planetários, asseverou, com precisão matemática, através duma ótica cosmológica insólita para a época (sequer existia o termo astrofísica), que "os planetas se formam a partir de partículas tenuíssimas de cores variadas. ... Num movimento oscilatório da periferia para o centro e do centro para a periferia, como se atraindo e se repelindo ao mesmo tempo". Cem anos após(1995), o poderoso telescópio espacial Hubble fotografou mais de 150 estrelas em formação. Constatando a existência de discos de poeira e gás em torno dessas jovens estrelas (um milhão de anos).

                                                                                                                         (Newton Lobo op. cit.)

Esse pensamento para a época, enquanto a ciência se desenvolvia, foi bastante revolucionário. Fonseca Lobo segundo sua biografia, enriqueceu indo para a Amazônia, e ao voltar para o Ceará, adquiriu muitas terras na Região Metropolitana e em Fortaleza. Seu local de moradia na área urbana era próximo às propriedades da família Gentil a conhecida "Villa Angelita", da qual ainda resta a "torrinha" no centro de Humanidades II onde hoje abriga o C.A. da Psicologia.

Fonseca Lobo foi membro do Instituto Histórico e Antropológico o Ceará e é citado em várias publicações da revista do instituto.
Publicou algumas obras como:

"A Camponesa”

"A Velha Macrobiana"

"A Hipotipose do Mundo"

Fonseca Lobo como muitos cientistas e intelectuais da época, era ligado ao espiritismo, assim como foi o astronomo "Camille Flamarion".Muitos intelectuais do começo do século em suas obras e como filosofia de vida pessoal, adotaram o Kardecismo como algo que os ajudavam a pensar além. Há quem formule a hipótese de que cientistas como eles não ficaram mais conhecidos justamente porque em suas obras havia pensamentos e ligações com a doutrina espirita.

Aí vocês me perguntam: Fonseca Lobo fazia observações astronômicas na torrinha? Bom, segundo Newton Lobo, muito provavelmente ele usava sim a torrinha para observações.


"Realmente a torrinha era usada para observações, creio que ainda há uma Rosa dos Ventos no teto, naturalmente usada para determinação dos pontos cardeais, o que seria um auxílio para a observação do céu, não sei se a olho nu ou através de um pequeno telescópio".

                                                                                                                            (Newton Lobo op. cit.)

Ele cita que lá havia inclusive uma rosa-dos-ventos no seu terraço para determinação dos pontos cardeais, assim como foi feito no Observatório do professor Claudio Pamplona (OAHE)-Observatório Astronomico Herchel-Einstein.
Ainda há muito o que pesquisar sobre esse cientista tupiniquim. Convido com esse pequeno texto, aos curiosos e pesquisadores de plantão, a pesquisarmos mais detalhes, e também a resgatarmos o patrimônio histórico que é a torrinha da UFC que a cada dia que passa, vem se deteriorando cada vez mais. Pesquisemos e preservemos nossos prédios históricos. Eles tem muita história para contar.



Por: George Yure de A. Castro, professor e membro fundador do CASF(Clube de Astronomia de Fortaleza)

domingo, 27 de novembro de 2016

Astrônomos amadores cearenses flagram objeto brilhante cruzando os céus de Paramoti





Equipe Casf desta observação: (Paulo Régis, Tatiana, Hilbernon, Dennis, Leiliane, Nivardo, Evandro e Evandro Filho)



 Imagem do site: http://www.bramonmeteor.org/bramon/bramon-registra-primeiro-earthgrazer-de-2015/

Membros do Clube de Astronomia de Fortaleza (CASF) observaram na noite de 26 de novembro (sábado) um objeto brilhante atravessando o céu de Paramoti, cidade do interior do Ceará, localizada a 99 Km de Fortaleza. O objeto foi inicialmente avistado pela equipe de astrônomos amadores às 19h 41min, horário local, vindo da direção norte, mais precisamente da constelação do Touro, numa região do céu próxima às Plêiades (um aglomerado de estrelas popularmente conhecido como “sete-estrelo”). Além de ser muito brilhante, chamava a atenção pela cor amarelo-alaranjada ou ocre, com o formato mais ou menos esférico e acompanhado de uma curta cauda. À medida que o objeto ganhava altura e se deslocava mais para o sul, foi desenvolvendo uma longa e bem delineada cauda, formando uma bela imagem que lembrava o aspecto típico de um cometa. Ao atingir a parte mais alta do céu, o tamanho da cauda do objeto se entendia por aproximadamente 7 graus, ou cerca de 15 vezes o diâmetro aparente da Lua cheia.

Ao longo de sua trajetória, os 6 membros do clube (Hilbernon, Dennis, Leiliane, Nivardo, Paulo e Tatiana) não observaram nenhuma explosão, variação súbita de brilho ou fragmentos se soltando. Pelo contrário, o objeto manteve por vários segundos um aspecto contínuo, enquanto seguia em linha reta um movimento suave rumo ao horizonte sul. Ao se distanciar dos observadores, o objeto foi aos poucos se esmaecendo e perdendo a cauda, até apresentar um aspecto pontual brilhante cerca de 5 graus acima do horizonte, quando então foi visto desaparecendo lentamente por detrás da linha de telhados das casas da vizinhança. No total, o avistamento durou cerca de 40 segundos.

Pelas características observadas, este fenômeno muito provavelmente deve se tratar de um meteoro do tipo rasante, conhecido pelo termo em inglês “ Earth grazer”, isto é, “que arranha a Terra”. Meteoros desse tipo surgem a partir de um pequeno corpo celeste rochoso e/ou metálico, que se aproxima do nosso planeta numa trajetória “rasa”, ou tangencial. Isso faz com que ele apenas “raspe” as porções mais altas da atmosfera (podendo formar longas caudas) mas sem chegar a adentrar plenamente nela, o que o desintegraria por completo. Eventualmente podem até retornar para o espaço e continuar assim suas solitárias jornadas em torno do sol. Meteoros desse tipo podem ser vistos de uma zona geográfica relativamente vasta, dada a grande altura e o forte brilho envolvidos. No caso em questão, já há relatos nas redes sociais de avistamentos em data e hora compatíveis em várias cidades do Piauí e Ceará. “Earth grazers” costumam ser notados logo antes do amanhecer ou logo depois do sol se por, como também aconteceu neste caso. É possível, ainda, que este bólido tenha relação com a chuva de meteoros Geminídeos, que ocorre todos os anos em dezembro.

O CASF, clube formado por entusiastas pela Astronomia de Fortaleza e região metropolitana, se reúne regularmente em locais com baixa poluição luminosa, como é o caso do sertão cearense, para fazer observações do céu noturno a olho nu e com instrumentos, como binóculos e telescópios. Infelizmente, dessa vez, não foi possível registrar em vídeo ou fotografia o fenômeno da noite do último sábado, pois o grupo naquele momento havia acabado de chegar no local de observação.

Por Hilbernon Almeida Filho(Presidente do CASF)