
Segundo o engenheiro, por enquanto, os técnicos estão apenas testando os instrumentos, antes de começar a perfurar o solo. Durante o processo, em caso de falha, surge o desafio de fazer reparos na sonda a uma distância de 275 milhões de km de distância, tarefa que o engenheiro brasileiro classifica como "muito difícil"
"Temos que utilizar, aqui na Terra, modelos da sonda que está em Marte. E os modelos nem sempre são idênticos. Podem ter sido feitas alterações de última hora na Phoenix e que nós não passamos para o papel. Temos que levar isso em conta", conta De Paula.
Um desses reparos teve de ser feito na última segunda-feira (2), quando um equipamento chamado Tega (sigla em inglês para Analisador de Gás Térmico e Expandido) não funcionou durante os testes.
A função do Tega é esquentar amostras coletadas pelo braço robótico, transformando os materiais em gases. Com isso, é possível identificar os compostos químicos e analisar sua composição. Além de analisar a origem da água em Marte, a Phoenix vai procurar por outras condições propícias para a vida no planeta, como compostos orgânicos.
As duas naves Viking, da Nasa, que chegaram a Marte em 1976, não detectaram a existência desses compostos.
Controle
Apesar de estar a cerca de 275 milhões de km de distância, a Phoenix age de acordo com comandos enviados por profissionais em terra. Durante a noite, os técnicos recebem informações enviadas pela sonda e, com base nessas análises, enviam pela manhã os comandos para a Phoenix.
De Paula calcula que existam cerca de cem cientistas e 50 engenheiros trabalhando nessa operação. Na visão da Nasa, estudar a água em Marte é chave para descobrir respostas importantes, como se o planeta já teve vida.
Segundo a agência, os pesquisadores também podem descobrir maiores informações sobre o processo de mudança climática. Para o engenheiro brasileiro, Marte pode dar lições aos habitantes da Terra.
Se descobrirmos como a água desapareceu [no planeta], podemos usar esse conhecimento científico para nos proteger, para não passar por essa fase", afirma.
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